Adoro livros. Adoro ler livros. Adoro mergulhar nas suas histórias e fundir-me nelas. Adoro tudo o que está relacionado com livros. Até adoro estantes. Eu não sou eu se não tiver um livro para ler.
Adoro livros. Adoro ler livros. Adoro mergulhar nas suas histórias e fundir-me nelas. Adoro tudo o que está relacionado com livros. Até adoro estantes. Eu não sou eu se não tiver um livro para ler.
Dei-te asas de branco puro
mas ainda não aprendeste a voar.
Que gaiola te impede de sair?
Dei-te a noite, a lua e as estrelas
mas não te atreves a sonhar.
Que pesadelos te atormentam?
Dei-te espelhos rendilhados de ouro
mas ainda não sabes quem és.
Que máscaras colocas todos os dias de manhã?
Dei voz ao teu coração
mas ainda não conheces a sua melodia.
Que ruídos insistes em escutar?
Dei-te a liberdade
mas serás tu verdadeiramente livre?
Um sonho pulsa na palma da sua mão. Uma luz brilhante, leve, doce. Na quietude da noite, ela sente o seu calor fluir para dentro de si. É um bálsamo para a sua alma entorpecida. Todas as noites, com o sonho na palma da sua mão, ela acrescenta-lhe uma cor, um cheiro, um toque. Um sabor, uma nota. Enriquecendo-o, nutrindo-o. No seu sonho, a sua vida é colorida, perfumada, quente. É picante, tem melodia. É um sonho tão rico em pormenores, tão vívido, que ela quase se sente a (...)
Tudo o que conhecia sobre si mesma tinha-se desmoronado. Tudo o que ela julgava ser, tudo aquilo que ela sabia sobre si jazia, aos seus pés, num monte de cacos. Durante dias, manteve-se ali, sentada no chão, rodeada pelos pedaços destroçados de si própria. A dor, qual abutre, pairava no alto, os seus olhos gulosos fixos nela. Sem aviso, descia sobre ela, cravando as suas garras afiadas na pele flagelada emergindo depois de beiços lambuzados de sangue e lágrimas. Uma donzela deitada (...)
Nuvens escuras enchem o céu carregadas de tempestade. O mar responde revolto com o som ensurdecedor das ondas a bater. O vento frio e cortante sacode com violência os seus longos cabelos claros mas ela mantém-se firme. Algo dentro de si, selvagem e desconhecido, despertou como que atraído pela tempestade. Cresce e ressoa com a força dos trovões e dos relâmpagos que rasgam e iluminam o céu. Sente a pele arrepiar-se e o seu corpo é percorrido por um frémito de excitação. Sente-se (...)
Tudo é cinzento, pesado, feio, triste. A cidade de betão. As pessoas apressadas e cabisbaixas, os mendigos com as suas camas de papelão. O barulho ensurdecedor do trânsito e das obras intermináveis. O ar denso da poluição dos canos de escape. O cheiro podre dos caixotes do lixo a abarrotar, o odor a mijo nos becos escuros. As cores berrantes dos anúncios gigantes espalhados pelas ruas, cores que lhe magoam os olhos cada vez que levanta o olhar do passeio sujo. Sente que não (...)
Houve um tempo em que a noite era uma imensidão escura. À medida que o Sol seguia em direção ao horizonte e o céu se tingia de tons laranja, vermelho e violeta, a noite nascia e com ela a escuridão tomava posse. E no silêncio escuro da noite ela ansiava pela Luz. Sombras pairavam sobre o seu corpo trémulo, a sua presença imensa e escura como um manto pesado, sufocante e ela inspirava o ar noturno com sofreguidão. Mas o ar era feito de um medo denso, espesso que lhe enchia os (...)
À noite no jardim, sob as estrelas, ela sonhava. Sonhava com a beleza suave e perfumada do jasmim. Sonhava com a força acolhedora do velho chorão. Com a liberdade selvagem e profunda do mar. Com a luz mágica e misteriosa da lua. Ali, enquanto dormia num leito verdejante sob um dossel de infinitas estrelas, tudo era maravilhosamente perfeito. Sonhava como seria se ela própria fosse feita dessa matéria etérea e sagrada. Sonhava como seria acreditar naquela voz sábia que canta melodia (...)
Quero escrever o que sinto, pôr no papel tudo aquilo que me atormenta mas o lápis não parece ser capaz de acompanhar o passo rápido do turbilhão de sentimentos e emoções que existe dentro de mim. Se fosse capaz de passar os meus pensamentos para o papel talvez deixassem de me perseguir vezes sem conta na minha mente. Pensamentos que me paralisam, me deixam exausta, que me afundam em águas profundas e escuras. Como seria sentir a leveza do vazio? Como seria ouvir o silêncio do nada? Co (...)