Brilhos quotidianos
Sabemos que estamos a abandonar a infância quando já não paramos para observar tudo o que brilha: as partículas de pó a flutuar em redor da janela, que antes eram um rasto evidente de uma fada traquina, o resplendor do papel de alumínio que envolve o lanche da manhã, o gume das tesouras, o sol a refletir em redor (nas folhas das árvores, nas lentes dos óculos, nas maçanetas das portas, nos brincos da nossa mãe).
Já não nos impressiona. Já não o vemos."
In Onde tudo brilha, de Alice Kellen